PORTO DOURADA
EDITORIAL
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PORTUGAL ATEMPORAL. Não o Portugal bonito.
Há um Portugal de postal. O azulejo acabado de lavar, o elétrico amarelo na sua curva certa, o pastel de nata para a foto. Esse já está feito.
PORTO DOURADA procura o outro. O cobre que demorou cem anos a escurecer. A pedra que o Douro vai polindo sem pressa.
A luz da tarde a cair sobre um rosto como caiu sobre todos os rostos antes dele.
Não procuramos o novo.
Procuramos o que não caduca.
MANHÃ



Intimidade, pele, silêncio.
MEIO-DIA




Azulejo, escada, estação.
TARDE



O rio e a hora dourada.
NOITE


Ficando até tarde.
Há mulheres que atravessam a cidade.
E há cidades que existem para serem atravessadas por uma mulher assim.
Do amanhecer à última taça,
Matilda não percorreu a cidade.
Habitou-a.
Não é a roupa. Não é a cidade.
É ela.
